Escrevo sobre sonho
Sobre os sonhos dos outros
Outros que eu nem conheço
Sonhos que sequer sei se existem
Mas têm que existir
Pelo menos pro dono dos meus textos
Coisas que a gente escreve,
porque tem que escrever, sabe?
Dos meus, não
Não preciso de digitador
Eles possuem sua própria bic azul
Carga cheia, ponta arredondada
E se escrevem onde e quando querem
Às vezes, tão visíveis
Outras, nem tanto
Mas sempre estão lá: cheios de si
Cobertos de razão, ou não
Prontos para aparecerem pro mundo
Eu é que nem sempre abro a porteira.