Enquanto



Não dê pressas ao tempo, menina. Não agite as águas calmas por onde escorrem nossos anseios. Deixemos vida fazer seu papel. Escrever suas linhas. Vivamos o hoje com tudo que o hoje merece. Sejamos fiéis, verdadeiramente crentes ao presente. Sabe aquilo que passou? Deixe passar. Deixe lá. Não vamos mexer no que não cruzou o Ano Novo. Deixemos dormir sentimentos. Sim, eles também precisam de descanso. Vamos olhar pra frente, vamos? Vamos de quanto, em quanto. Pouco a pouco. Olhos de sol, pele em sal. Vamos ao mar. Vamos amar. Todos. Com amor puro de criança. Com alma cheia. Que já, já felicidade-inteira derrama e beira nossa ponta de olhar.

há_mar_se

E ela,

a mesma

que enluarou

por dias

e dias de sol,

decidiu então:

fazer-se mar.

Paci-ficando




Desenhada nos lábios

Minha prece hoje

Tatuada no peito

Meu pedido sempre

Cultivada em olhar

Minha fé

Presente no respirar

Percebi

Suave e constante

O que sempre pedi:

Paz.


para levar pra 2012




Não prometo nada para 2012. Prometer quilos a menos, maturidades a mais, plantar uma árvore, escrever um livro, cuidar do dinheiro. Isso tudo aí, se não é obrigação, é conversa pra filme de youtube e jornalista que manda a gente passar filtro solar. O que eu levo para 2012 é o meu compromisso. Porque se comprometer é mais do que prometer. É consigo. É pra você. Não é pra falar em mesa de bar. Muito menos para angariar adeptos. Não é para ter aplausos momentâneos, não é para ficar só na palavra. Meu compromisso está aqui impresso, mas antes, já foi tatuado. Coisa eterna. Isso mesmo. Tatuei meu compromisso na minha parte mais valiosa e visível: na minha alma. Meu compromisso fala baixinho, fala pra mim. Fala baixo pra não acordar a vizinhança. Sussurra, pra conservar a esperança. Olha sério, dentro do meu olho, mas olha com carinho. Carinho de quem quer o meu melhor. Cuidado de saber que pode sim, ser melhor. Meu compromisso, enfim, está aqui, entrelinhas, aqui, entranhado, aqui, em mim.

conto tempo


E a menina que sempre praguejou aos quatro ventos:

- TUDO É UMA QUESTÃO DE TEMPO!

Ela mesma. Ela não acreditou no tempo. Ela foi implacável com ele. Julgou, condenou, puniu, amargurou, enrrugou. Logo ela, tão sábia, tão comovida pelo poder das horas-dias-luas. Ela não percebeu. Ela negou. Pegou cada pequeno grão de vida, virou a ampulheta, não deixou nada passar. Adormeceu em angústia. Permaneceu insônia, confusa. Transpareceu semblante. Acordou. Viu ele lá, o tempo, em seu lugar, cumprindo seu passar. Tudo estava onde deveria estar, só faltava ela ocupar-se da sua própria existência. Retornou assim, flores na mão, peito-botão, olhos de mar e sentimento de, enfim, saber acalmar e confiar em cada novo raiar.

vida-flor



Entreaberto os poros

Que é por onde escapo

Meu quarto, meu canto

Meu espaço de puro existir

Percorro em flor

meu simplesmente eu

Pra em seguida

tornar-me

e

Retornar-me

inteira em mim

Que é pra cá

Que é meu mar

Que é só meu

Esse meu dom de perfumar

Essa minha alma de colorir

Esse meu jeito de em flor existir.

Do que não cabe reciclagem




Falta, enfim, derramar só mais uma gota. Juntar esses umedecidos. Enxugar tudo com aquela velha camiseta de lembranças. Vestir-me de hoje. Pra assim, jogar fora. Fazer cumprir essa sina de fim sentir. Botar pra fora de mim. O que ainda resta de você.

arquitetura de interiores



Nada de mudar o outro. O que eu queria mesmo era mudar pro outro. Fazer moradia. Escrever meu CEP em peito ao lado. Desempoeirar meus móveis de sentir só com o respiro dele. Fazer disso mudança com planta na varanda e alma colorindo paredes.

sentimento ontem


Meus sentimentos, meus pensamentos, meus pesares. Nada, nada tem a ver com você. Nada a não ser lembrança. Por que sentimento meu tem ponto de referência. Precisa daquela fotografia antiga para lembrar como é existir daquela forma. Precisa empoeirar de passado para espirrar de futuro. Precisa se apegar ao que foi para esperançar no que ainda será. Sei que não é fácil, ah, como sei. Mas é assim que acontece em mim: sentimento de ontem nutrindo o de amanhã.

contento, com tanto


Um sentimento bem nutrido demora um tanto pra se convencer que ali não é mais moradia. Não tem mais comida, abrigo, peito. Essa mania da gente de doar o melhor acaba trazendo pra perto demais, criando dependências orgânicas. E eu assumo: sou sim, usuária compulsiva de emoções escancaradas, sorrisos rasgados, peito aberto e coração disparado. Tolice é achar que vale a pena permanecer no conforto do pouco sentir. Então, não me peça para justificar sonho, dar razões ao que em mim pulsa, muito menos me peça para equilibrar meu transbordar. Pra quê perder tempo não sendo? Vamos de mãos dadas, olhos fechados, peitos abertos. Vamos confiantes. Vamos com sinceridade. Sem quases. Vamos honestos, plenos, repletos. Vamos juntos porque sozinho é tão pouco quanto chato.

dos olhos pra dentro



Hoje eu sonhei com você. Eu sufoquei. E chorei como quem chora por alguém que teve muito e agora não tem mais. Nos abraçamos em um beijo tão eterno que eu precisei acordar pra respirar. Eu estava te perdendo. E você a mim. Eu sentia sua extração do meu peito, eu te prendia nele. Eu pedia pra você ficar. Você me pedia pra ir junto. E você estava tão-como-sempre-lindo. E você sentia tudo tão lindamente intenso. Assim como eu. E choramos juntos. Angustiamos juntos. E eu larguei o expediente pra poder extrair as últimas gotas de você aqui, presente. E eu não larguei sua mão. E todos entendiam o nosso sofrer. Um sofrimento de algo que não aconteceu. Um sentimento de ser você a minha pessoa, de ser eu a sua. Choramos por nós. Choraram por nós. Meu peito não doía apenas. Ardia. Dilacerava. E era tudo grande, tudo terrivelmente e dolorosamente amoroso. Você ia. Eu ficava. E permanecia em nós uma vontade de nós. Apenas nós. Juntos. Sempre. Tão sufocante isso, tão angustiante... precisei abrir os olhos. Acordar chorando de algo tão real. Aquilo de fato aconteceu. Você e eu. Eu só não sei dizer quem é você.




Tears In Heaven (acoustic) by Eric Clapton on Grooveshark

Cuidando com cuidado




Faz isso não
Não entope de letras
meu coração
Fica aí, bem aí
Longe de mim
Nosso contato
não cabe canção
Não sustenta poesia
Não
E se não for por você
Que seja então
pelo cuidado
Que seja por mim
Porque eu sei
Exatamente
O que não quero
E não quero ver
peito aberto
derramando
E desaguando
Em vão.

do jeito que me cabe



Enche o peito. De fé. Esvazia. Total. Enche de novo. Desesperança. Desespera. Espera. Cansa. Põe-se em pé. Novamente. Tenta de novo. Olhar pra frente. Não vê. Amanhã. Não crê. No melhor. Escolhe então. Apenas viver. Sai por aí. Olhando com ironia. Medindo passo. Sem tropeços. Sem suspiros. Apenas. No compasso.Viva. Plenitudes. Não cabem mais. Apenas um dia. Após o outro. Pouco. A pouco. Indo. Devagar. Pra não. Faltar. Amor.

(citação de LH... foi mais forte que eu)

walk on





Minha fé anda por aí, vestida de amanhãs...

de uma saudade




Minha saudade, meu senhor
Vem de canto de ouvido
De quando trechinho de peixinhos
Era metade meu, metade seu.
Minha saudade, seu moço
Vem contando momento,
Rimando carinho
Cantarolado sinceridades
Assobiando e só.
Vem com Vinícius
(dizendo: Chega de Saudade!)
Caminha pelo Leblon
Encontra com você perto-longe.
Minha saudade, meu bem
eu lembro assim, em bossa
Vem com gosto distante da nossa
Nossa mania de ser sempre
E sempre assim... assim...