Poesia por correspondência

Amiga Ludi,
Desculpe minhas complexidades
Minha paixão pelos assuntos escondidos
Atrás de pilastras, muros ou frades,
E, sobretudo, detrás dos dentes.
É que cansada de pensar só no contente
E no que de tanta paz amansa o mundo
Tratei de reinventar a cada segundo
O vocabulário novo das razões
E tanto nos apelidos descompensados
Quanto nas danças tão fora de hora
Vou procurando por fora
Uma realidade por fim inusitada
Mas se me perco demais nos discos
E venho a me tornar música repetida
Enganchada em uma faixa retida
É você quem vem me resgatar
E me salva na simplicidade das horas
Me mostrando que para ter leve carinho
E para fluir feito água de rio
Não é preciso muito bê-a-bá.

(mais de luba em: www.palavradeluise.blogspot.com)


Amiga Luba,
Se seu disco é arranhado, aproveite
Meta os dedos, gire-o
Vamos remixar os sentidos
Tornar o medo, piada
Fazer piada virar sentimento
E sentimento? Bom...
A gente dança em cima dele!
E salta alto,
E rodopia rápido
Embalado sempre
Pelo disco arranhado.