Eu desejo



Desejo muitas coisas.

Desejo que hoje seja amanhã e que amanhã seja amanhã mesmo.

Desejo que as pessoas vivam do bem e para o bem.

Desejo que as coisas pequenas sejam tratadas como tais: com atenção mínima. E que as coisas grandes não sejam assim tão superestimadas (principalmente por mim).

Desejo que o mundo entenda um monte de coisa que ainda não entende.

Desejo que nasçam novas coisas a serem entendidas, fuçadas, analisadas, comentadas.

Desejo que a novela não termine semana que vem porque a próxima eu já vi que vai ser um breguerê cafona.

Desejo meus amigos sempre por perto. Muito perto. Como sempre são: meus guardiões, meus anões de jardim, a brisa do meu peito.

Desejo que o sol continue com suas cores e sua poesia diária.

Desejo nunca esquecer de contemplar esse presente.

Desejo carregar a minha cidade pra onde eu for.

Desejo ser um pouco da minha cidade em qualquer lugar. E um pouco de qualquer lugar em todos os lugares.

Desejo família reunida, almoço de qualquer dia, brigas corriqueiras, irmãs de alma, sangue, espírito. Cumplicidade sanguínea.

Desejo sentir mais, escrever melhor, tocar um instrumento, compor música, concretizar idéias, ser mais reativa.

Desejo um dia ter uma floricultura de idéias. Transformar a vontade de dar flores numa coisa mais divertida, mais bonita. Pelo menos pra mim.

Desejo receber mais flores. Daquelas roubadas no muro de casas antigas. Daquelas trazidas de longe. Daquela que era sua, mas agora é minha também.

Desejo manter o olhar atento, a língua afiada, o humor idiota e, sobretudo, o amor absoluto pela vida.

Desejo o amor a mais amorosa potência.

E ponto.