Certezas de flor




Minhas certezas, frágeis que são, não suportam “não”, meu senhor. Cambaleiam, coitadas. Dignas de pena, de socorro, de sustento. Minhas certezas às vezes duvidam até de me pertencerem. E saem por aí, passeando por desconfianças outras, por olhares que nem sei. É fato que sempre voltam. Olhando baixo, meia luz, mão pra trás. Mas daí a me acostumar: não, não dá. Queria eu as certezas alheias. Mesmo que irreais, mesmo que forjadas... ainda assim, firmes. Queria minhas exclamações postas no alto, peito aberto, temores zero, megafones em mãos. Mas não. Elas não são aço brilhante-avante. Tenho certezas tão suaves que despetalam com brisa desavisada. Colorem sutilmente e perfumam sem permissão. Tenho certezas de flor. Coisa que passarinho bem entende. Coisa que eu mal aceito.

2 comentários:

Vanessa_Oliveira disse...

Que coisa mais linda ^^

Paulo H P F Pereira disse...

BELÍSSIMO!!!

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Pois não,

convicções frágeis
apenas sob um aspecto:

viver.

Minhas certezas
também têm espinhos
e podem ser desabitadas,

contudo
são fluidas e consistentes tal como
a lógica do Verde; inerentemente reciclável.

Existência efêmera,
suavidade dura.