Da reflexão, à nenhuma conclusão

Exito sobre o que escrever.
Em busca da palavra,
da métrica, da forma,
às vezes, acabo esquecendo
que o principal eu tenho.
A essência é o que me move,
é o que faz pipocar minha retina
É o sentimento que abre meus poros,
E por onde exala minhas palavras.
Mas por algum tempo,
nem eu sei porque,
me prendo nessa miudeza
De pensar como esse texto pode ser.
Mais? Melhor?
Bobagem de comparações
Não pretendo ser Cecília,
Muito menos Mário
Sou o que aqui está posto
E aposto que você
não tem a menor idéia.
Tudo bem.
Eu também não tenho.
Corro os dedos no teclado
Procurando, fuçando
Colando o hoje
Desejando o amanhã.
Achando que esse texto
já tinha acabado,
Concluindo logo em seguida
que ele merecia letras mais um bocado.
Eu disse texto?
Disse sim.
Porque como pode ser poesia
Se ca-da pa-la-vra que sur-ge
Vem uma-após-a-outra?
Eu não maquino, não ensaio,
Retoco um pouquinho, sim.
Mas o que torna o texto, poesia?
Não sei.
Tenho medo de chamar poesia.
Prefiro deixar como estar.
Eu aqui. Ela lá.
Não mexer com o que está quieto
É muitas vezes uma forma de fugir
Ou de se encontrar sem grandes
guerras nucleares.
Prefiro a paz.
E o amor ainda mais.
Termino assim.
Sem muito sentido.
Mas sentindo muito mais.